22 de agosto de 2009

Parte 4 – A idade adulta e a consolidação dos problemas.


A idade adulta chegou e as responsabilidades ficaram maiores, novamente eu estava de armas apontadas para a obesidade. Eu estava passando por vários problemas, nem as mulheres queriam saber da minha pessoa, afinal de contas, como falei anteriormente, o “gordinho” sempre fica de fora na lista de preferências das mulheres.

Eu procurava levar uma vida normal, mas era apenas aparência, eu nunca me aceitava como gordo, me olhar no espelho? Nem pensar! Pisar numa balança? Nunca!

Quem é gordo sofre, sofre consigo mesmo, sofre com os preconceitos de tudo e de todos. Comigo não foi diferente, eu tinha que aturar aquela piadinha sem graça do meu aspecto físico. O pior de tudo, é que a pessoa que fez a piadinha, acha que você está gostando. As pessoas precisam entender que a obesidade não é um relaxamento, ou um mero descuido. A obesidade é uma doença crônica, e de difícil solução.

Mas existem pessoas que não estão preocupadas, se estão lhe ofendendo ou não, se estão ferindo a sua alma ou não. Recentemente resolvi processar meu antigo chefe por Danos Morais.

“A agressividade era tamanha que frases como “olha ai o Nhonho” (personagem obeso do seriado Chaves), “gordo faça isso”, “gordinho faça aquilo”, “vou pagar um spa para você gordinho” eram proferidas na presença dos colegas de trabalho e dos clientes em visita ao escritório de advocacia. Jamais o reclamante ouviu do superior hierárquico o seu próprio nome, pois “gordo”, “obeso”, ou mesmo outros apelidos que enfatizavam a sua condição de obeso eram utilizados quando o sócio majoritário solicitava a sua presença ou determinava a realização de serviços”.

Acho que não escolhi ser gordo, se pudesse teria evitado de todas as maneiras, sempre briguei contra a obesidade. Mas por se diferente, será que eu tinha que engolir essas coisas calado? Acho que não!

Procurava esquecer a obesidade, mas é impossível, pois as limitações são inúmeras por causa dela. Comprar uma roupa era uma tarefa muito constrangedora, você não escolhe a loja, é loja que escolhe você. Na maioria das lojas, o último número de calça é o 48, eu já estava usando o 54. Camisas de malha? Só GGG! Era difícil encontrar um tamanho GG que servisse. Certa vez eu cheguei a entrar numa loja, e falei para a vendedora que a roupa era para o meu irmão, e eu nem irmão tenho! A vendedora me perguntou se ele era “fortinho” também! Acho que ela foi de uma sensibilidade tamanha, já pensou se ela tivesse perguntado:

- Ele é gordo assim igual a você?

O fato é que mesmo obeso, continuei com o meu espírito de aventura para os esportes. Os amigos me chamavam para fazer alguma atividade e eu ia, é lógico que eu travava o pessoal, sempre ficava para trás e trazia a desconfiança até dos amigos. E o pior era que eu não parava de engordar, e um dia quando subi na balança e vi 130 kilos, quase caí para trás. Caí numa tristeza que só eu mesmo sabia, e ainda tinha que aguentar as grosserias do meu chefe em relação ao meu aspecto físico.

Foi a partir daí, que eu resolvi fazer a grande mudança na minha vida.

Contarei logo a seguir.

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