22 de agosto de 2009

Parte 1 - A obesidade infantil.


Durante toda a minha infância, carreguei comigo o chamado sobrepeso. Era aquela criança que tudo mundo achava bonitinha, gordinha, bochechudinha... Não me incomodava com esses apelidos que me davam, acho que por ser criança, não fazia muita idéia dos iminentes problemas que teria por causa da obesidade.

Mesmo carregando alguns quilinhos a mais, sempre fui uma criança ativa, ou seja, jogava bola, praticava judô, corria e andava de bicicleta. No meu tempo não tínhamos computadores em casa, ainda não éramos tanto ligados na televisão, a diversão da garotada era mesmo na rua.

O tempo foi passando e acho que fui me acostumando com a minha imagem, péssimo isto! Logo comecei a sofrer os primeiros preconceitos, mesmo criança ninguém perdoava, os apelidos eram maldosos e começaram fazer parte do meu cotidiano. Recordo-me de alguns, "rolha de poço", "azeitona" e “Delfim”. Para quem não se lembra, Delfim Netto foi Ministro da Fazenda, na época em que os militares governavam. Não sabia quem era o sujeito, um dia vendo o Jornal Nacional na época, vi que o camarada era muito gordo, o que me deixou muito constrangido.

Quando eu estava com oito anos, perdi meu pai, e foi muito difícil conciliar a perda desta proteção paterna, e também conviver com as gozações em relação ao meu aspecto físico. Ao mesmo tempo em que eu não tinha mais o meu protetor, caí numa profunda tristeza pela própria falta dele.

Outro dia conversando com a minha psicóloga, ela me disse que a obesidade está ligada a fatores traumáticos também. Talvez a perda do meu pai, seja de fato, um dos fatores que contribuíram muito para a minha obesidade.

Na minha cabeça obesidade é uma doença, uma doença crônica, onde as pessoas descontam suas angústias, seus problemas e suas ansiedades na alimentação. Sem contar o fato da vida “moderna”, onde cada vez menos fazemos esforço para ter as coisas em mãos, não nos ajudar muito. Mas não passava nada disto pela minha cabeça quando criança, a minha pergunta era sempre outra. Eu pensava quando criança:

- Porque fulano come tanto e não engorda? Porque eu tenho que ser diferente de todo mundo?

Para esta pergunta a resposta não é simples, nem os especialistas conseguiram desvendá-la ainda. Não irei entrar no mérito, do estilo de vida, metabolismo e hereditariedade, quero concentrar aqui nesta primeira etapa, os acontecimentos da minha infância. Acho que quando criança é mais difícil de colocar na cabeça a necessidade de emagrecer.

Poderia ter acordado mais cedo? Acho que poderia sim! Com certeza evitaria muitos momentos desagradáveis e pessoas indesejadas que eu tive que aturar na minha vida.

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