31 de agosto de 2009

Parte 12 - Festividades



A comida esteve e sempre estará presente em nossas vidas, seja em eventos sociais ou em grandes festividades. O que devo fazer? Fugir deles? Impossível! Jantares e almoços de negócios, convenções, seminários, casamentos, aniversários etc. Enfim, uma infinidade de iminentes eventos, e não é necessário se tornar o ser mais ante–social do mundo, pelo simples fato de ser gastroplastizado.

Desde criança que eu sempre adorei uma festa, nas minhas lembranças mais remotas, consigo me recordar de como já tinha uma baita compulsão por doces. Brigadeiros e tortas eram os prediletos. Refrigerantes e salgadinhos também não escapavam, eu até ficava de olho na mesa ou de quem iria servir a comida. O engraçado, é que pelo fato de ser uma criança “gordinha”, o próprio garçom já tomava o rumo em minha direção e dizia:

- Esse ai gosta de comer!

Confesso que gostava mesmo, tudo com açúcar era muito bom, me completava e me dava satisfação, e apesar dos inúmeros apelidos já colocados, não me preocupava com questões de saúde, criança não liga para isso, mas me sentia muitas vezes deprimido por não saber o que fazer para mudar o quadro.

Quando cresci e me tornei adolescente, nada disso tinha mudado, eu continuava arrebentando nas festas. Tenho uma lembrança de ter comido tanto numa delas, que cheguei a vomitar e tudo. Mas daí eu comecei a ter alguns pensamentos, pensamentos com a estética, pois com 14 anos, pelo menos na minha época, você queria dar o seu primeiro beijo, tocar numa garota, passear no shopping com ela, ou seja, as descobertas da adolescência.

Era normal surgir uma festa a cada final de semana, afinal de contas, a minha rede de contatos já era grande naquela época. Apesar dos pesares, mesmo me sentindo diferente, pelo menos tentava disfarçar, compensava com bom humor e bastante conversa. Acho que neste momento, comecei a desenvolver uma boa técnica, isto é, precisava aparecer de alguma maneira e demonstrar alegria, para esconder o que eu achava feio em mim mesmo.

Na fase adulta, que por sinal foi a que eu acordei para os meus problemas, tentei de várias formas emagrecer, mas ao mesmo tempo, acabei adquirindo um novo hábito, ou seja, o de beber cerveja. Bebida realmente tem que ser com muita moderação, mas na farra, quem é que vai se lembrar disso? Já não ligava mesmo, festa e churrasco aos montes, e o comportamento era o mesmo. Era para encher logo a pança, isto é o que interessava.

Depois da gastroplastia, você realmente tem que mudar, continuo frequentando as minhas festas, mas perdi felizmente o hábito de beber, e também posso me divertir sem beber, fiz uma troca de prazeres. Evidentemente, que até da para beliscar uma coisa ou outra, mas você não se sente bem mais consumindo gordura, procuro as opções menos agressivas, isto é, se quiser um salgadinho, pegue um que for assado por exemplo. Outro dia estive numa festa, ou melhor, uma pequena recepção, e achei engraçado uma coisa que aconteceu. Quando fui me servir e me sentar à mesa, uma tia veio chamar a minha atenção, dizendo que eu tinha que deixar para os outros. Foi engraçado ouvir isso, pois eu acabei dizendo a ela que três salgadinhos eram a cota da noite toda, não sei se ela havia esquecido a minha atual realidade, ou se a fama do passado ainda pesava um pouco.

Continuarei frequentando os mesmos lugares, pois a comida sempre estará presente, basta ter a consciência de fazer a coisa certa.

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