24 de agosto de 2009

Parte 9 – Uma vida de descobertas.


Quando falo de descobertas, quero ser mais incisivo nas questões de reaprendizagem. Por que falo isso? Falo porque de fato é tudo novo, por exemplo. De agora em diante, isto é, para a vida toda, terei que fazer uso de suplementos vitamínicos. Por isso é importante frequentar sempre a nutricionista, ela irá monitorar toda e qualquer deficiência de vitaminas que você possa ter. No meu caso, após alguns meses, descobri que estava com deficiência de vitamina B12. Recomenda-se uma única injeção, para repor e suprir qualquer falta, por um longo tempo. Mas nem todos estão sujeitos, uma pequena parte apenas, uns pacientes podem ter esta deficiência e outros não. É o chamado efeito colateral da cirurgia, e até fácil de explicar.

Ocorre que a técnica utilizada, a chamada “bypass” ou “capela com anel”, nome mais popular e conhecido, faz com que parte de cima do estômago, seja grampeada e ligada a uma parte do intestino também cortada. O reservatório fica muito menor, passando de 1 litro e meio para apenas 50 ml. O caminho fica mais curto também, o intestino ganha um desvio e o caminho por onde o alimento irá passar, literalmente passa a ser outro. O fato de o alimento não passar mais pelo duodeno, que é a primeira parte do intestino delgado, localizado entre o estômago e o íleo, poderá causar uma dificuldade de absorção da Vitamina B12, o que não significa que em outras partes do organismo, a Vitamina B12 também não seja absorvida.

Acho que não será tão difícil lidar com essas questões, basta apenas se dedicar e procurar entender como tudo funciona. Acho que neste momento de descobertas e aprendizado, o fator principal que irá sempre estar ao meu lado, é o meu psicológico e o meu estado de espírito.

Como relatei anteriormente, por mais que exista uma redução extrema da fome, fato este causado pela diminuição da produção de “grelina” - que nada mais é, o hormônio que provoca a sensação de fome, nunca deixaremos de gostar de um chocolate por exemplo. As ofertas calóricas estão por ai, e a relação daquilo que se come em calorias, em face daquilo que você deverá se submeter para gastá-las, é uma verdadeira conspiração contra a humanidade. É muito mais fácil ganhar do que gastar, esta é a pura verdade. A palavra agora é equilíbrio, penso que tudo na vida de agora em diante será desta forma. O equilíbrio será aliado a uma contínua responsabilidade consigo mesmo. Responsabilidade de controlar o que você está ingerindo diariamente.

E já que é desta forma, penso que em determinados momentos, posso comer um pedaço de chocolate, mas apenas um pedaço pequeno, não só por causa do “dumping”, mas também por uma questão de controle de peso. No passado era fácil devorar um ovo de Páscoa tamanho grande, quero ter o mesmo prazer de comer um pedaço de chocolate, mas nada com antes, nada de forma exagerada, apenas ser inserido no contexto, isto é, fazer o meu lado social quando necessário.

Quando falo do lado social, quero explicar um pouco melhor. As pessoas que sabem da cirurgia, ou porque você contou, ou mesmo porque contaram a elas, ficam numa espécie de policiamento e fazendo mil perguntas a você. Eu entendo a curiosidade das pessoas, deve ser mesmo difícil elas entenderem, não deve ser fácil elas visualizarem e conhecerem uma nova pessoa.

Quando participo de festas, e não corro de nenhuma delas, diga-se de passagem, procuro conviver como uma pessoa normal, afinal de contas sou normal, só tenho um reservatório menor. Mas às vezes percebo que algumas pessoas, não todas é claro, acabam te olhando como se você fosse um “ET”, ou mesmo uma aberração criada pela medicina.

Mas voltando o assunto festas e afins, acho que devemos agir normalmente mesmo, a comida está presente no nosso dia-a-dia, está presente em reuniões de negócios, datas comemorativas e outros eventos. Não há como fugir dela, basta ter a responsabilidade de saber o que consumir, e principalmente sem exageros é claro. Talvez se tivesse pensado nisto antes, não estaria escrevendo este texto.

Outro ponto que faz mais parte da vaidade, na verdade não só vaidade, mas sim de uma necessidade humana, é o relacionamento afetivo. Estava desestimulado em face as minhas tentativas amorosas, ninguém me olhava com bons olhos. Destoar, não estar em conformidade e não agradar os olhos alheios, nunca foi fácil mesmo. Eu tive os meus relacionamentos, os melhores aconteceram nos períodos que eu emagrecia. Mas quando engordava já não fazia tanto sucesso. Nesta nova fase, e por sinal que fase maravilhosa, passei por experiências muito agradáveis, ser paquerado... Sinceramente a iniciativa sempre foi minha, mas desta vez aconteceram troca de olhares e respostas positivas. Sem querer me aprofundar muito nesta parte, defino como uma verdadeira massagem no meu ego.

A relação no trabalho também melhorou bastante, por mais que esteja num novo trabalho, a disposição para o dia-a-dia é outra, o cansaço de antes só ficou na lembrança. A imagem para o mundo dos negócios também é completamente diferente, se antes o cara obeso poderia manchar até a imagem da empresa, agora você sendo “Slim”, as portas estarão mais abertas para o sucesso corporativo.

Enfim, um universo de descobertas está por vir. O mais importante é focar no resultado e acreditar na vitória. Todo obeso passa pelos mesmos problemas e situações que eu passei, a decisão da cirurgia é muito difícil, tem que ter muita coragem, muita clareza e informação, sobre o antes, o durante e principalmente sobre o depois ou o bem depois.

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