28 de setembro de 2009

Parte 19 – Eles estão por toda a parte.


Nas minhas andanças por ai na rua, eu sempre que fico observando a todo o instante, comportamentos e hábitos da vida moderna. É inevitável você não pensar na sua nova condição de vida, pois as ofertas calóricas estão por toda a parte. Voltando outro dia do trabalho, parei o carro em um sinal, e logo veio o garoto falando:

- Tio! Ajuda aí! É só 1 Real cada!

Bom, não se trata de uma questão social, até porque eu sempre ajudo a quem precisa, mas o que você mais vê sendo vendido em sinais de trânsito, são os benditos doces, biscoitos recheados e chocolates, ou seja, opções nada saudáveis, não só para nós, mas como também para as pessoas sem problemas de peso.

Não deixei de gostar de chocolate, mas o fato é que me seguro mesmo para não gastar dinheiro com essas besteiras, pois foram elas que contribuíram muito para o meu infeliz namoro com a obesidade.

A obesidade é uma doença crônica, e de difícil solução, não existe cura, mas existe controle. Esse é o “feeling” que devemos pegar. E eu peguei este sentimento, pois durante anos fui sentenciado e condenado a uma das piores prisões da vida, uma prisão dentro de um corpo que não era meu, ou melhor, até era meu sim, mas não condizente com o meu espírito de garra e de atividade para a vida.

Quando vejo essas coisas perambulando pelo os meus arredores, procuro logo desviar a atenção para outra coisa, pois não posso negar, o prazer de comer um chocolate é muito grande, tanto é que uma vez por semana, eu compro uma barrinha de chocolate diet, mas só para matar a vontade, sei me controlar. Antes era chocolate e mais chocolate todos os dias, era um vício, não quero dar sopa para o azar. Se deixar, posso cair em tentação e acabar ingerindo além da conta.

Mas minha cabeça está trabalhada, eu literalmente faço conta, se ingiro 100 calorias, eu já fico pensando como irei gastá-las, e vejo que as atividades físicas, estão me auxiliando bastante na manutenção do peso. Quero e sei que devo continuar com este pensamento, nunca perder o foco, pois é inegável o prazer que eu tenho hoje em dia, aliás, muito maior do que comer um simples chocolate. Se me tornei um prisioneiro do meu próprio corpo, tenho culpa sim! Fui responsável por tudo, minha família também, pois desde criança eu não tinha freio. Hoje essa responsabilidade está voltada para o estímulo de perda de peso, envolvendo não só o equilíbrio emocional, mais também os aspectos nutricionais.

Ontem foi dia de São Cosme e Damião, e logo quando cheguei ao escritório, já fui vendo os doces na minha frente. Aceitei de um amigo uma bala Juquinha e um quebra – queixo e só, pois os amigos ajudam a controlar, não querendo ser chatos, e sim preocupados com a minha saúde, um deles até falou:

- Olha ai rapaz! Não vai passar mal!

Com o tempo você sabe até onde você pode ir, quer dizer, eu até não sei onde posso ir, pois se tenho vontade de comer um doce, eu praticamente só provo, não quero realizar testes e ver de fato, até onde eu posso ir com os doces, não quero saber mesmo! Eu acabei aceitando o doce, era pequeno e também acho que podemos fazer o nosso social, basta não exagerar, mas já meus amigos... Nossa! Foi doce o dia todo! Eu era assim, e não era só nessas datas festivas, era todo o dia, pois o prazer momentâneo de comer um doce, compensava o arrependimento posterior.

Informações Importantes:

1 pacote de biscoito recheado = 10 pães franceses;

1 lata de refrigerante = 11 colheres de açúcar.

E você ainda vai continuar dando este "lanchinho" para o seu filho?

27 de setembro de 2009

Cobertura: II Encontro sobre Obesidade Mórbida.


O evento faz parte do Projeto Vida de Madureira.

Resumo:

A palestra foi de grande valia para o público que compareceu, foram abordados diversos assuntos em face à gastroplastia. Os palestrantes foram bastante esclarecedores, procuraram tirar as dúvidas mais frequentes, mostraram as técnicas utilizadas, mencionaram os aspectos psicológicos, nutricionais e por fim, foram ouvidos testemunhos de pessoas, que já se submeteram à cirurgia, mas que estavam ali para demonstrar bons resultados e incentivar as pessoas a mudarem de vida também.

Participaram das palestras os Drs. Jatir Lugon Ribeiro, Mauro Coelho de Carvalho, José Alberto Galvão Cruz, Aline Nabuco, Beatriz Ohana e Aurélio Bottino.

Houve a participação muito esclarecedora do Dr. Rafael Carvalho, psicólogo da equipe, que rapidamente abordou os transtornos mais em evidência nos obesos.

O próximo encontro será dia 07/11/2009 às 09h30min, no Hospital Pasteur.





Até lá!

24 de setembro de 2009

Parte 18 - Eu te conheço?

Olá pessoal!

Depois de um ano muita coisa mudou, para muito melhor é claro, mas continuo passando por experiências novas nesta nova fase da vida. Falo de comportamento, tanto meu, quanto das pessoas que me cercam, ou das que estiveram por perto, e por uma “travessura” do destino, acabaram se afastando.

Ultimamente as abordagens tem sido curiosas, eu não diria que acho estranho, mas diria no mínimo impressionante. A reação das pessoas que não me vêem há algum tempo, não só tem massageado muito o meu ego, mas também tem me assustado em alguns momentos.

No último domingo, no final da tarde, resolvi ir para um dos lugares que eu mais gosto, o Maracanã, fui assistir o meu time do coração e ainda levei minha mãe comigo. Diante de 50 mil pessoas, se você for um frequentador do lugar, e de fato eu realmente eu sou, é óbvio que você encontrará com algum conhecido.

Foi exatamente isto que aconteceu, comprei meu ingresso, e desta vez de cadeira, pois prefiro a arquibancada pra sentir mais emoção (Neguinho da Beija - Flor)... Entrei e sentei nas cadeiras azuis com a minha mãe, e fiquei olhando para um lado e para o outro, de forma despretensiosa, procurando por algum colega.

O fato é que você poderá ser abordado sim, por um amigo ou colega, mas esta situação só tem acontecido com as pessoas que me conhecem a pouco tempo, ou que participaram do processo de emagrecimento de um tempo para cá.

De repente avistei um amigo! Um amigo que não encontrava desde 1999, dos meus tempos de mercado segurador, quando eu trabalhava numa grande seguradora do Mercado. Pedi licença a minha genitora e fui lá falar com ele. O cara era meu camarada de verdade, sentávamos um do lado do outro, e o que não faltaria era assunto naquele momento. Pois bem, eu o abordei:

- Grande Antonio! Caramba! Quanto tempo meu amigo!

Esperava uma reação idêntica por parte dele, mas não, o cara estava estarrecido e totalmente frio. A princípio estranhei, mas continuei levando o papo a diante e puxando assunto, pois faltava muito para o jogo começar, tinha tempo de sobra para um bom papo. Conversamos por meia hora, falamos de pessoas conhecidas em comum, falamos do jogo, do antigo trabalho de ambos, e nada do amigo ficar à vontade.

Depois de mais de meia hora, foi que ele parou a conversa e disse:

- Caramba! Eu não acredito - Abrindo um sorriso. É você Luis Henrique? Caramba! O que foi que você fez? Vou te confessar que só agora eu sei quem é você, e por isso eu estava aqui desconfiado e tudo.

Depois disso foi uma gargalhada só, falamos mais um pouco, contei o que havia acontecido e me despedi, pois o jogo já iria começar. Fui ao encontro da minha mãe, e chegando lá contei a experiência.

Depois de assistirmos a vitória do Mengão, voltamos para casa, mas de noite ao cair da noite, coloquei a cabeça no travesseiro fiquei pensando em tudo... Fiquei imaginando esta reação das pessoas, e por mais que eu tenha curtido muito da minha vida mesmo sendo obeso, acho que agora eu realmente seja uma pessoa nova, isto é, que começou a nascer aos 33 anos de idade, e tendo uma vida toda pela frente de novas experiências. Eu penso que o importante é ter agora equilíbrio emocional, pois a quantidade de elogios podem te levar a um falta de identificação com o seu “eu”, e este equilíbrio, eu procuro renová-lo todos os dias.

18 de setembro de 2009

Aniversário.



Pois é pessoal.

Hoje faz um ano que coloquei aquela meia apertada, entrei numa sala fria e depois cortei a barriga.

Faria tudo de novo? Claro!

Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades... Muitos anos de vida!
Viva!

Parece estranho, mas hoje eu e olho o reflexo da imagem no espelho, e vejo uma pessoa que eu nunca conheci.

Na verdade, nunca imaginei que um ano após a gastroplastia, eu estaria tão diferente. Para se ter uma idéia, recentemente encontrei um grupo de colegas, que trabalharam comigo no ano passado. Todos ficaram olhando... Pararam, coçaram a cabeça e apresentaram aquela feição de espanto - Será que é ele mesmo? Prontamente eu me manifestei, pois estava achando que realmente era aquilo que estava acontecendo.

- Olá pessoal! Sou eu sim! Não tenham medo - expressando um semblante de alegria - Tudo bem com vocês? E estava contente por revê-los, poder colocar o assunto em dia é muito bom, mas a massagem no meu ego foi algo sem palavras.

Esses encontros rendem bastante assunto, pois logo perguntam o que você fez, e é a partir daí que entra em ação o "Dr. Luis Henrique Marques", especialista em cirurgia bariátrica. Brincadeira! De forma alguma, apenas um estudioso no assunto, já que autoconhecimento não faz mal a ninguém.

Pacientemente, e de forma objetiva, explico tudo, ou dependendo do tempo, quase tudo. O assunto rende muito, mas percebo que só quem entrou no "Universo Gastroplastia", sabe melhor o assunto, ou pelo menos deveria saber. Desconhecimento total, mas mais pelas informações equivocadas que circulam por ai, do que qualquer outra coisa.

Este primeiro ano foi fundamental, pois trata-se do renascimento para a vida. A palavra que mais rondou a minha mente, sem sobra de dúvidas é a palavras disciplina. Disciplina para tudo e a qualquer preço, tanto para exercícios, como também para os hábitos alimentares, esta última, talvez seja a maior e mais difícil mudança, que você tenha que realizar na sua vida.

Fazendo uma analogia, tratar um paciente que está deixando uma obesidade mórbida, é como se fosse tratar um alcoólatra com bebida! Não vamos deixar de comer, é obvio, pois se fosse desta forma não haveria vida. Mas imaginem só! Ninguém vai deixar de gostar das coisas que o levaram à obesidade mórbida, mas a pessoa tem que aprender ela não vai poder mais traçar uma pizza inteira a cada sábado ou domingo, mas ele vai poder comer uma fatia esporadicamente, fazer uma social, pois a vida continua.

E por falar em vida, e mudando um pouco o assunto, estou prestes a entrar numa equipe de corrida, quero me preparar para a meia maratona do Rio ano que vem, quero levar a bandeira da gastroplastia lá, a nossa bandeira é do renascimento, a bandeira dos vencedores.

Agradeço mais uma vez a todos, que continuam me ajudando a vencer o fantasma da obesidade.

15 de setembro de 2009

Parte 17 - Uma imagem, mil palavras e uma conclusão.



Outro dia estava no Shoopping, e comecei a reparar a falta de alternativas que temos para nos alimentarmos. Impossível você não passar pela praça de alimentação, e não reparar no que está sendo servido. Nos tradicionais fast-food, eu nem perco meu tempo, mas eles são 90% nos shoppings, parece uma espécie de vício e cultura que querem impor a todo custo na sociedade.

Nesta semana que passou, eu tive que sair do trabalho e ir ao shopping resolver uns assuntos particulares, quando deu o horário do jantar, bateu aquele vazio que todos nós sabemos. Em outros tempos, seria aquela fome "animal", mas desta vez, para quem se acostuma e come nos horários corretos, era uma sensação de vazio, ou seja, estava na hora de por algo para dentro, e seria nada mais nada menos, que o jantar, isto é, uma refeição nobre, digamos assim.

Procurei horrores, e resolvi comer um salgado integral no Mundo Verde, passei no Rei do Mate, pedi um mate com leite, que é uma espécie de shake. Pois bem, começou aquela sensação que muitos conhecem, quando ingerimos algo com açúcar ou um pouco de gordura. Caminhando pelo shopping começou... Suor frio, taquicardia, enjôo etc... Eu falei:

- Puts! Dumping agora não!

E não adianta, eu passo muito mal mesmo, voltei no Rei do Mate e pedi para ver o leite que o cara usava, nem me toquei, mas era o Integral, ou seja, o que tem mais teor de gordura. Peguei um taxi e me mandei para casa, e cheguei passando muito mal mesmo. Engraçado que o taxista queria me levar para o hospital.

Conclusão!

Observando a imagem acima, eu realmente teria mil palavras para definir essas "lojinhas de gordura", mas quero fechar mesmo este breve texto com a seguinte mensagem:

- O fast-food é com certeza a maior "praga" que inseriram em nosso cotidiano, onde as pessoas trocam muitas vezes uma refeição principal e nobre, por uma "bordoada" de 2500 calorias de uma vez só, isto é, o que um ser humano necessita durante todo o seu dia.

De agora em diante, irei ao shopping depois do jantar!

14 de setembro de 2009

Parte 16 – Contradições no Universo da Gastroplastia.

Nem tudo pode ser considerado uma utopia, aliás, quase nada, muito menos alguns aspectos no Universo da gastroplastia. Pois bem, tenho observado o comportamento da sociedade, isto é, não só de gastroplastizados, mas também de profissionais, e de todo um contexto que envolve vários aspectos da gastroplastia. Já foi dito por mim mesmo, aqui mesmo neste site, que a gastroplastia é uma vida de cumprimento de regras. Baseado nisto, fico muitas vezes estarrecido com a falta de foco/objetivo, comportamento e postura de muitas pessoas diante deste Universo, que é a gastroplastia.

Não se trata de tomar conta da vida das pessoas, pelo contrário, não é isto que estou querendo dizer, mas torna-se inevitável não observar, é notório e explícito o falso "mundo real" criado por alguns.

Sendo mais específico, estou falando primeiramente de pessoas que acreditam fielmente, que uma cirurgia bariátrica, é um tratamento de estética e beleza. Sou muito observador, e como se fosse uma velha águia em busca de sua presa, eu tenho acompanhado o cotidiano de muitos e tenho reparado em comentários estranhos, alguns já me perguntaram coisas do tipo:
- Quantos kg você teve que engordar para operar? Eu respondi no ato: - Engordar? Como assim engordar para operar?

Francamente... Engordar para operar? Acho uma loucura e falta de direcionamento! Pois bem, existem pessoas assim, e como disse anteriormente, eu mesmo conheço algumas. Essas pessoas são sérias candidatas a darem tudo errado, e posso lhes garantir, sem rogar qualquer tipo de praga, já que não é do meu feitio, é exatamente isto que vai acontecer.

Juro que na minha vida nunca pedi para ser obeso, as coisas foram acontecendo ao longo do tempo, sempre lutei contra esta doença, sempre tentei me livrar, mas não é fácil vencer esta guerra, que aliás, continua até hoje. Eu confesso que nunca na minha vida, eu pensei que me submeteria a um procedimento cirúrgico desses, isto é, de grande complexidade. Mas eu não estava vendo saída, as comorbidades eram muitas, era preciso "radicalizar", digamos assim. O assunto sempre será tratado de forma séria por mim, não é uma brincadeira ou tão pouco um jogo, existem intolerâncias, problemas psicológicos e muitos transtornos que podem acontecer, não com todos é claro, mas com uma parte poderá acontecer.

Ouvi outros relatos bastante esquisitos, do tipo – Sabe? Você pode comer doces, experimente os doces pastosos e tal... Não adianta emagrecer o corpo, se a mentalidade continua de um obeso. Esta é a grande diferença, daqueles que vão ter sucesso, e daqueles que infelizmente não terão.

Outro dia falei das festividades, acho que ninguém está proibido de participar de festas, elas sempre estarão presentes em nossas vidas, mas o que eu vejo, até mesmo em festas e reuniões de “ex-gordinhos”, são verdadeiras farras gastronômicas, a começar pela própria bebida alcoólica, uma verdadeira contradição, um comportamento completamente adverso. Alguns com mais tempo de gastroplastia, os que deveriam passar um pouco mais a sua experiência, parecem que vivem mesmo numa utopia. Vejo pessoas que parecem que nem emagreceram tudo o que deveriam, até porque, diante de tal comportamento contraditório, evidentemente já ganharam alguns quilos. Eu acho tudo muito esquisito mesmo, eu particularmente não quero copiar este exemplo, eu até batizei de "lado negro da força", (plagiando um pouco a Trilogia Star Wars), muito pelo contrário, procuro realizar as atividades que eu sempre gostei, isto é, atividades físicas, mas que infelizmente foram ficando de lado por causa da obesidade.

E falando das atividades físicas, são raros encontrar passeios e caminhadas de grupos de gastroplastizados, eu mesmo já organizei alguns e no dia do evento, poucos resolveram levantar da cama, a preguiça infelizmente fala mais alto.

Outro assunto muito importante e delicado, que até foi veiculado em outro site, envolve diretamente um “mercado” que estão querendo criar, isto é, um comércio da gastroplastia, uma verdadeira banalização de algo, que só deveria ser recomendado em situações extremas. Além de ser um absurdo, já que como foi dito anteriormente, cirurgia bariátrica não opera nenhum milagre, é de uma falta total de ética, expor anúncios do tipo “Entre aqui e mude a sua vida”. Isto é “tapar o sol com a peneira”, é se enganar por completo, em achar que cirurgia bariátrica faz "mágica", posso lhes garantir que não faz mesmo, ela é apenas um auxílio, um instrumento, um estímulo para uma grande mudança de hábitos.

Por fim, a minha crítica final vai para a própria sociedade “in totum”, todos nós sabemos que estamos numa verdadeira epidemia de obesidade, e só agora é que a indústria alimentícia começou a se preocupar com o bem estar das pessoas? Será? Talvez! Espero que não seja apenas uma “modinha” passageira, e sim uma mudança cultural.

Mas esse assunto rende um novo tópico, fica para o próximo.

“A utopia consiste na idéia de idealizar não apenas um lugar, mas uma vida, um futuro, ou qualquer outro tipo de coisa, numa visão fantasiosa e normalmente contrária ao mundo real”.

“In totun – Do latim, que significa em geral, no todo, totalmente etc".

9 de setembro de 2009

Parte 15 – Existe vida após a obesidade, mas também existem problemas.

Gostaria de comentar e deixar claro neste post, que mesmo após eu estar vencendo um grande problema da minha vida, ou seja, a obesidade, não estarei livre de passar por situações complicadas, pois problemas e situações difíceis são iminentes, e muitas vezes contra a nossa própria vontade. É certo que o meu emocional, será testado várias vezes daqui pra frente. No meu entender, apenas um dos problemas da minha vida, é que está sendo solucionado neste momento. Ninguém está livre de passar por situações, em que as emoções venham à tona, muito menos os ex-obesos.

Neste final de semana, infelizmente chegou ao fim o meu primeiro relacionamento após a gastroplastia. Mas antes que pensem qualquer coisa, quero registrar que conheci uma pessoa maravilhosa, no qual pude aprender muito, e felizmente, mesmo após o término, nos tornamos grandes amigos, e não perderemos o contato um com o outro, apenas não deu certo neste momento, e sequer temos mágoas um do outro. Foi uma experiência boa no geral, tenho que levar isto em consideração, mas pela primeira vez, pude sentir o coração estremecer, afinal de contas, estava terminando um relacionamento, é normal sentir-se triste com esta perda. E imagine nós, que já estamos passando por uma transformação tão grande em nossas vidas, onde “1000 anos parecem ser vividos em 10 anos”, vivenciarmos situações que mexam com o nosso emocional. Temos que estar preparados psicologicamente e emocionalmente para estes acontecimentos.

Porque estou tocando neste assunto?

Infelizmente a vida não é só de alegrias, para as pessoas que estão conseguindo vencer esta batalha, de acabar de vez com a obesidade, trata-se sem dúvida de uma enorme solução para diversos problemas, sejam eles de saúde, preconceito, emocionais etc. Mas não estamos livres de perdas e de tropeços na vida, pois literalmente a vida continua, e como será que devemos encarar essas fortes emoções daqui por diante?

Me chama muito atenção um dado e um fato importante, isto é, vejo as pessoas caindo numa certa euforia nos primeiros meses, é compreensível, não há como negar, pois o resultado vindo, fica evidente que uma felicidade muito grande bate dentro de nós, mas e depois? Será que a graça vai acabar? O encanto? As pessoas acostumam com você, e os desafios da vida estão por vir, caberá neste momento, uma atenção e controle muito grande dos nossos atos. No meu íntimo, posso afirmar que penso nisto todos os dias, pois não quero botar tudo a perder. A euforia inicial que surgiu no início, poderá dar lugar a uma depressão, compulsão por jogo, vício em bebidas etc.

Eu particularmente, me considero com um bom alto controle, e quando vejo que alguma coisa está errada, imediatamente peço ajuda. Mas evidentemente que não estamos livres dessas situações, se procurarmos, encontraremos muitos relatos de pessoas que botaram tudo a perder. O exemplo negativo serve para nos empenharmos ainda mais, e não descontarmos nossas aflições em alternativas ruins, e que possam vir a destruir nossas vidas, nunca devemos perder o foco, pois como foi dito anteriormente, ser gastroplastizado, é viver numa vida de regras.

A minha frase é:

- No fundo do meu poço, existe uma mola gigantesca!

6 de setembro de 2009

Agradecimento.



Olá pessoal.

Sempre que eu posso, faço as minhas corridinhas de 5 ou 6 quilômetros, ai está um incentivo para vocês, exercícios ajudam muito, o resultado aparece rápido. Mas não criei este post para falar disto, serei breve, na verdade trata-se de um agradecimento. Estou aqui para agradecer ao Dr. Jamel e sua equipe por tudo! Jamel não é só o meu médico, acabou se tornando também um grande amigo, uma amizade que eu tenho certeza que será duradoura. Agradeço também a toda equipe envolvida, ou seja, Drs. Isaac, Léo e Ednalda. Agradeço também as senhoritas Loraine e Simone, nutricionista e pisicóloga respectivamente, que como muita competência e segurança, souberam me orientar de forma a cumprir com os meus objetivos.

Meu querido amigo Jamel! Você tinha toda a razão, 73 kg era garantido.

Abraços.

5 de setembro de 2009

Técnica: Bypass gástrico em Y de Roux - Capella.

Histórico:

O "Bypass Gástrico" é a "Cirurgia Bariatrica" mais frequentemente realizada no mundo. Setenta por cento das cirurgias bariatricas feitas no mundo são Bypass Gástrico. Essa cirurgia também é conhecida como "Cirurgia de Fobi e Capella" ou "Septação Gástrica".Mason (o Pai da Cirurgia Bariatrica Mundial) e Ito, dois cirurgiões americanos, perceberam na década de 1960 que os pacientes que tinham gastrectomias (retirada parcial ou total do estomago) para tratamento de úlcera gastroduodenal emagreciam. Concluíram que o fator emagrecedor era duplo. O primeiro fator era "a diminuição do estomago para um volume de 100 ml" e o outro era "a comida não passar pelo duodeno e jejuno inicial". Resolveram então fazer a mesma cirurgia com a finalidade de causar emagrecimento em obesos mórbidos.

Em 1967 iniciou-se a era do Bypass Gástrico para tratamento da Obesidade. Em 1986 Mal Fobi , apresentou a mesma técnica porem "sem a retirada do estomago do corpo", ou seja, a comida só passa por um estomago reduzido mas o restante do estomago continua no corpo. Dessa forma o estomago seria separado em 2 estomagos: um pequeno de 100 ml por onde a comida passava (pouch) e outro grande de 1.500 ml por onde a comida não passa (estomago excluso).Essa modificação acrescentou 2 vantagens. A primeira é que a cirurgia passou a ser realizada em tempo mais curto (fator importante para reduzir complicações cardio pulmonares em pacientes já previamente graves pela obesidade). Observe que a "não retirada de peças do corpo" é importante porque torna a cirurgia "reversível". A segunda era evitar as complicações de uma gastrectomia. Fobi tambem criou um anel de silicone que impedia a dilatação do estomago.

Em 1991 Rafael Capella sugeriu a diminuição do pouch de 100 ml para 20 ml e passou a proteger o pouch com o intestino delgado para evitar fistulas (vazamentos). Ao invés de usar o anel de silicone (de Fobi) ele usava uma tira de tela de polipropileno. Criou-se assim a Técnica de Fobi e Capella.Em 1994 Wittgrove e Clark fizeram o primeiro Bypass Gástrico por Videolaparoscopia onde a única diferença em relação ao Fobi e Capella era a ausência de anel ou fita. Até hoje o "Bypass Gastrico por Videolaparoscopia" é tido como o "Padrão Ouro" da Cirurgia Bariatrica.

Mecanismo de Ação:

O mecanismo de funcionamento dessa cirurgia é duplo, baseia-se em Nutrição Ileal e Redução Gástrica:

Nutrição Ileal:

Nutrição Ileal, ou seja "fazer a comida chegar no intestino delgado terminal". Quando a comida chega ao intestino terminal existe a produção de hormônios que causam a saciedade a nível cerebral logo a pessoa não quer mais comer (perde a fome). Alem disso esses hormônios fazem a comida voltar de marcha ré para o estomago causando desconforto estomacal traduzido como empachamento. Esse é o "Grito do Intestino Satisfeito" que pede para o corpo parar de comer. Alem disso esses hormônios melhoram a produção de insulina de pâncreas cansados, melhorando a Diabetes tipo 2. O duodeno e o jejuno proximal são trechos do intestino que tem altíssimo poder de absorção, ou seja, grande parte da comida passa rapidamente do intestino para o sangue nesses trechos. A comida moderna, infelizmente, não contem fibras e, pior ainda,é baseada em carboidratos. Esse tipo de "comida moderna" é de facílima absorção e quase a totalidade desse tipo de comida é absorvida para o sangue nesses trechos. Dessa forma não chega comida no intestino e assim não existe o "Grito do intestino". Essas pessoas comem, continuam com fome e comem mais. O Bypass Gástrico cria um "atalho" no tubo digestivo. A comida vai passar por um estomago pequeno que será costurado ao jejuno médio. Em outras palavras a comida não passa pela maior parte do estomago, nem pelo duodeno e nem por 70 cm de jejuno inicial. Essa modificação vai impedir a intensa absorção alimentar que ocorreria nesse trecho. Assim a comida chegará ao intestino delgado terminal e ocorrerá o Grito do Intestino e a fome diminuirá logo após o inicio da refeição.Esse é o principal mecanismo emagrecedor do Bypass Gástrico. Talvez 95% dos pacientes que foram submetidos a essa técnica não sentem mais fome como antes. Essa caracteristica parece manter-se para sempre conforme relato dos gastrectomizados por ulcera (cirurgia realizada desde 1880).

Redução Gástrica:

O estomago funcional (pouch) é pequeno,tem ao redor de 20 ml, e a passagem do alimento desse pouch para o intestino é retardado por algum "fator atrapalhante" (anel ou costura calibrada). O paciente sente que precisa esperar alguns segundos entre duas deglutições. É como uma ampulheta onde a comida precisa de um tempo para passar do compartimento de cima para o de baixo.Ele sente-se empachado com pouca quantidade de comida.Esse fator atrapalhante é importante para ensinar o paciente a comer devagar e ter "Saciedade Gástrica". Nunca fazemos muito justo porque não desejamos que nosso paciente vomite. Acreditamos que a qualidade de vida do "vomitador" seja ruim. Queremos que ele coma normalmente qualquer tipo de comida (exceto bagaços de fruta, pois podem entupir o intestino). Prefiro atualmente a costura calibrada ao anel, pois se houver algum fator de cicatrização exagerada que estreite muito a passagem da comida, teremos a opção de realizar a dilatação endoscópica ambulatorial da anastomose gastrojejunal (costura que une o pouch ao intestino).Esse fator atrapalhante é importante para evitar a compulsão alimentar de ordem psicológica, porem se exagerado pode causar vômitos que alem de desagradável acaba as vezes "ensinando o paciente a comer doces" (que passam mais facil por não ter fibras) ao invez de carne e legumes. Ou seja, costura muito justa talvez engorde.

Resultados:

A proposta dessa cirurgia é a perda de aproximadamente 40 a 45% do peso total em aproximadamente 7 meses. Para tal o paciente precisa nesse período ter atividade física aeróbica para queimar as gorduras adquiridas no passado. Temos sete meses para realizar a queima das gorduras. Não adianta começar atividade física depois desse período pois o potencial de perda de peso se limita a 7 meses. Sugerimos caminhadas ou natação, pois não causam lesão por impacto nas articulações. Uma fratura de perna jogando futebol nesse período pode comprometer o projeto todo. Nesse período proibimos a ingesta de doces para não atrapalhar o "Projeto de queima de gorduras antigas".Após atingir o peso ideal, em provavelmente 7 meses, o paciente estará em um novo "Ponto de Equilibrio Global" com um corpo razoavelmente magro, provavelmente sem fome e com outras fontes de prazer. Nessa nova condição é permitido ingerir um pouco de doces e ter menos atividade física.A proposta é de oferecer uma boa qualidade de vida pois:

- Os pacientes provavelmente não sofrerão por fome, pois a grande maioria perderá grande parte da fome .Muitos pacientes esquecem de comer alguma refeição ocasionalmente;
- Comer não será mais um grande prazer, pois o paciente não terá muita fome. Como ninguém vive sem uma fonte de prazer, o paciente acaba encontrando outra fonte substituta (esportes, dançar, namorar, etc);
- Os pacientes não vomitarão com freqüência pois a costura é feita visando dar passagem a todo tipo de comida (exceto bagaços). Deve-se comer devagar e em momentos tranqüilos.
- Os pacientes geralmente não tem diarréia e as fezes não costumam ter odor forte.

Complicações:

As complicações cirúrgicas são raras e principalmente causadas por soltura de um grampo (fistula). Durante a cirurgia usamos grampeadores para separar e juntar o estomago e o intestino. Na cirurgia testamos todos os grampeamentos com um corante azul (Azul de Metileno). Se por acaso algum grampo ficou frouxo ocorre o vazamento do azul e nesses momentos nós costuramos a falha com fios cirúrgicos. A cirurgia só é encerrada quando não houver vazamentos. Em outras palavras ao final da cirurgia todos os grampeamentos estão invariavelmente perfeitos.A cicatrização completa de qualquer ferida cirúrgica ocorre em 30 dias e nesse período um grampo pode vir a soltar causando o vazamento de liquido gastrointestinal para a cavidade abdominal e assim acarretando em peritonite.Esse evento é raro, mas pode vir a ser muito grave. Precisamos evitá-lo. Nos primeiros 30 dias as costuras não podem sofrer pressões. Por isso nós orientamos ao paciente que alimente-se de 20 ml de líquidos ralos e coados com pausa de 10 minutos entre as tomadas.A mortalidade dessa cirurgia é descrita mundialmente ao redor de 0,6% e geralmente associada a grandes obesos com doenças graves desde antes da cirurgia. Acreditamos que a mortalidade de "continuar obeso" seja muito maior que a mortalidade da cirurgia, por esse motivo operamos obesos em qualquer situação (hipertensos, diabéticos graves, coronarianos, etc.). Entendemos que a cirurgia seja o único tratamento desses pacientes.

Acompanhamento:

É necessário que para toda a vida o paciente mantenha contato próximo com a Nutricionista para tratar eventuais alterações nos níveis de Vitamina B12, Ferro e Cálcio pois esses elementos são absorvidos com a colaboração do estomago e duodeno. Uma nutricionista especializada em Cirurgia Bariatrica consegue prevenir essas alterações com o uso rotineiro de vitaminas e sais minerais. Essa nutricionista também avalia se existe perda de massa muscular, nesse caso é importante suplementar a dieta com proteína em pó.Também é necessário acompanhamento com o cirurgião para:

- Avaliar cálculos de vesícula biliar. Todo emagrecimento rápido, com ou sem
cirurgia, pode causar a formação de cálculos na vesícula biliar. Estima-se que 20% dos pacientes operados desenvolvem essa doença. O calculo biliar pode obstruir o pâncreas causando a perigosa Pancreatite Aguda. Sempre que um exame de ultra-som diagnosticar a presença de cálculos na vesícula biliar é necessário programar a cirurgia para retirada da vesícula biliar (de preferência por videolaparoscopia também);

- Avaliar por Endoscopias Digestivas a presença de refluxo gastroesofageano ou de úlceras no pouch. Nesse caso será necessário o tratamento medicamentoso;

- Avaliar por Endoscopia a passagem de alimento pela costura entre o pouch e o intestino. Se muito estreita talvez planejar uma Dilatação Endoscópica dessa passagem. Os benefícios dessa cirurgia são evidentes em todos os campos possíveis como no tratamento da hipertensão arterial, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, colesterol, artroses de quadril e joelho, etc. Costuma causar grande melhora na auto estima e de forma geral nossos pacientes consideram-se mais felizes.Talvez 10% dos pacientes operados tenham uma reengorda parcial, que pode ocorrer alguns anos após a cirurgia. Esses casos são muito complexos e envolvem muitos fatores diferentes como, por exemplo: problemas psicológicos, compulsão por doces ou álcool. O tratamento inicial é sempre com a Nutricionista e com a Psicóloga.

Franco e Rizzi - Todos os direitos reservados.

Animação do Bypass gástrico.

4 de setembro de 2009

Parte 14 - Descobrindo o corpo.




Quando resolvi realizar esta cirurgia, não imaginava bem as mudanças que poderiam acontecer no meu corpo. Antes de me submeter aos procedimentos, procurei entender um pouco como fica a cabeça de um ex-obeso, isto é, como é a reação de uma pessoa como seu próprio “eu”, e com a sua própria imagem.

Existem níveis de obesidade, uns pesam mais e outros pesam menos. Para se ter uma idéia, há casos de obesos mórbidos com 220 kg. Imagine o índice de massa corpórea e o tamanho em si, de uma pessoa dessas. Eu ficava pensando aqui comigo:

- Caramba! Quando esta pessoa emagrecer, e perder todo o seu peso extra, ela ficará com um lençol de pele em cima.

Eu realmente pensava nesta situação, e apesar de eu não ter chegado a este nível de obesidade, ou seja, o último grau no meu entender, eu achava que teria outro problema pela frente. A minha pele já estava no limite, pelo menos eu achava, eu já apresentava uma boa quantidade de estrias na barriga, aliás, eu as odiava, elas eram horríveis, doíam e incomodavam bastante. Era difícil conviver com esse problema, tirar a camisa na praia, só depois de um tempo, não dava para competir com a rapaziada em forma, eu me sentia mal com esta situação.

Quando passei a estudar o assunto, e também conviver com gastroplastizados, procurei trocar informações sobre a flacidez. Acabei descobrindo que alguns não se importavam com o excesso de pele, já que por meio de uma cirurgia plástica, as “pelancas” poderiam ser removidas tranquilamente. Mas como dizem os médicos, cirurgia é igual a corte, corte é igual a uma cicatriz, então pensei:

- Caramba! Como é complicado consertar as coisas...

Mas logo depois esqueci esse assunto, e passei a pensar numa outra coisa. Fiquei pensando numa questão que envolve mais o psicológico, isto é, como é se enxergar no espelho e não ver mais aquela pessoa enorme na sua frente? Como será que a cabeça reage nesse momento? A mesma pergunta vale para as pessoas que não te vêem há algum tempo. Recentemente meu primo comentou com minha mãe, que eu já estou magro demais! Quando soube, não fiquei aborrecido com ele, eu sei que deve ser estranho, pois ela ainda tem na memória a imagem de outra pessoa. Nunca me viu assim em forma, e por isso pode achar que estou até doente, fato este, completamente descartado, já que meus exames médicos provam exatamente o contrário.

Durante esta jornada de emagrecimento, fui gradativamente aceitando as mudanças no meu corpo. Tudo vai se transformando, o tórax, os membros inferiores, superiores e até a face. Olhar no espelho, e ver uma pessoa que você mesmo nunca conheceu, de fato pode lhe trazer um certo descontrole momentâneo, ou até mesmo, como dizem na linguagem popular aqui no Brasil, um simples “nó na cabeça”.

Depois de eliminar cerca de 55 kg, não só vejo uma outra pessoa diante do tão temido espelho, mas como também fico reparando as mudanças no meu corpo. Em alguns momentos, eu mesmo me surpreendo, hoje pela manhã ao colocar o relógio de pulso, pude perceber mudanças. Isto mesmo, pois não foi somente o cinto da calça, que eu tive que cortar e levar no sapateiro para ajustar várias vezes. O pulso afinou também, as mãos eram inchadas e pareciam umas bolas, e hoje, é completamente diferente.

Quando me recolho aos meus aposentos, deito na cama e ponho as mãos no meu quadril, posso sentir pela primeira vez, em pleno os 34 anos de idade, os ossos “ilíacos” da minha bacia. Para uma pessoa que nunca foi obesa, pode ser a coisa mais natural do mundo, mas eu vejo com outros olhos, os olhos da conquista e da vitória.

Felizmente tenho percebido que minha pele tem me ajudado, as estrias, aquelas que eu odiava, praticamente desapareceram, e não tenho flacidez também. Mas alguns podem não ter a mesma sorte, mas não se deixem abater, a plástica poderá resolver este problema, ou dependendo do caso, quem sabe uma musculação poderá por “ordem na casa”.

São inúmeras descobertas, ficaria aqui horas descrevendo cada uma delas, o que quero deixar aqui é a seguinte mensagem:

“Pequenas mudanças implicam em grandes transformações, curta cada uma delas de maneira saudável”.

“Estria são os fibroblastos presentes na derme, que produzem fibras chamadas colágeno e elastina, elas conferem resistência e elasticidade à pele, respectivamente. Apesar das fibras de elastina conferirem elasticidade à pele, elas têm um limite. Quando a pele estica demais, esse limite é ultrapassado, então ocorrem rupturas nas elastinas da derme, que dão origem as estrias. É por isso que na adolescência, fase de rápido crescimento corporal e também na gravidez, há grande tendência para o surgimento de estrias. As elastinas rompidas cicatrizam, no entanto, o novo tecido formado é do tipo fibroso e essa diferença de tecido é que dá o aspecto característico às estrias”.


“Os ossos ilíacos são os do quadril”.

Entrevista: Gastroplastia - Técnicas utilizadas.

Quando resolvi realizar esta cirurgia, procurei saber bem o “pacote” que eu estava comprando, acho que os esclarecimentos são fundamentais para o sucesso do tratamento. Em certos momentos, observo pessoas que mesmo tendo se submetido à técnica para reduzir o estômago, parecem que não compreenderam ainda como tudo funciona. O objetivo não é ser tornar nenhum médico especialista, mas fica evidente que, possuindo conhecimento no assunto, fica muito mais fácil de lidar com esta nova realidade. Abaixo disponibilizo alguns links, no qual um médico especialista no assunto, explica de uma forma bem simples, as técnicas utilizadas na cirurgia bariátrica.

Links para as partes 2, 3 e 4 da entrevista.

http://www.youtube.com/watch?v=jrzCi6e-Yxw

http://www.youtube.com/watch?v=MF8fSZ_7_3U

http://www.youtube.com/watch?v=DZWC4kux3qw

3 de setembro de 2009

Reportagem: A importância da orientação psicológica.

Qual é a importância do exame psicológico antes da cirurgia?

Todo obeso que vai submeter-se a este tipo de cirurgia deve, antes, passar por um preparo psicológico. Este preparo não tem a intenção de proibir ninguém de ir pra cirurgia e por isso não gosto de chamar de avaliação psicológica. Na verdade é mais um dos vários exames que o cirurgião pedirá ao paciente antes de operar. A cirurgia pode ser contra indicada pelo psicólogo quando for detectada alguma psicopatologia grave, alcoolismo, drogadicção ou quando o paciente não tiver condições intelectuais de entender o processo pelo qual será submetido, já que o entendimento e colaboração do paciente serão fundamentais para se obter bons resultados no pós-cirúrgico.

E depois da operação, como a psicologia é aplicada?

Após a cirurgia o psicólogo também exerce um papel fundamental no acompanhamento do paciente, já que este terá que adaptar-se a um novo estilo de vida que, em geral, é completamente diferente ao anterior. Além disso, o paciente terá que lidar com situações de privação de alimentos que antes eram ingeridos em grande quantidade. Muitos pacientes que antes eram compulsivos por comida, quando não conseguem lidar com esta privação, podem acabar transferindo esta compulsão para drogas, álcool, sexo e compras, por exemplo. E, para muitas pessoas, a obesidade funciona como um grande mecanismo de defesa e até como uma boa desculpa para não ter uma vida social e afetiva. "Estou gordo, não vou à festa", "Não vou arrumar emprego porque estou gordo", etc. É verdade que a vida de um obeso é bastante difícil e por isso mesmo, às vezes fica menos difícil ficar trancado em casa pra não ter que se confrontar o tempo todo com essas limitações.

O que muda na cabeça do ex-obeso?

Depois do inevitável emagrecimento que a cirurgia proporciona, estas desculpas já não podem mais existir e o ex-obeso tem que aprender a lidar com uma nova realidade e principalmente aceitar que agora ele é uma pessoa sem limitações físicas e, conseqüentemente, acaba sendo mais cobrado pela sociedade para que seja uma pessoa produtiva. As mudanças não são poucas na vida de quem deixa de ser obeso mórbido. Um período de adaptação emocional, física e social é necessário. Quem opta pela cirurgia deve saber que está optando por enormes mudanças internas e externas, mas principalmente está optando pela vida. A psicoterapia ajuda na reorganização desta nova vida, em um corpo inevitavelmente diferente.

Andrea Levy (Psicóloga).

http://www.gastroplastia.com.br/

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2 de setembro de 2009

Reportagem: Revista Dieta já, edição 173.

O sucesso depende de você. Por que alguns voltam a engordar depois de recorrer à cirurgia de obesidade e o que fazer para afastar este perigo.

Reunidas as economias, sinal verde do Plano de Saúde, ou chamada após longa espera na fila do serviço público e a cirurgia finalmente foi marcada. Você imagina que seja o fim da linha, a solução definitiva para a obesidade. Só que a realidade nem sempre corresponde à expectativa. Passada a fase de emagrecimento acelerado, muita gente volta a engordar. Segundo pesquisa realizada na Gastrocirurgia de Brasília, mais de 52% dos operados recuperam entre 2 e 7 quilos - um ganho pequeno se comparado aos 40 a 50 quilos eliminados no pós-operatório. Mas 19% têm um ganho de peso importante que ultrapassa 7 quilos e pode chegar a 20 quilos ou mais. O que será que deu errado? "O grande problema é que se opera o estômago, não a cabeça", diz o gastroenterologista Arnaldo Ganc, professor da Universidade Federal de São Paulo. "A pessoa perde peso e vive dias de glória. Daí começa a relaxar e volta a comer demais."

Em outras palavras, não existe mágica. "Todo tratamento de obesidade deve incluir mudança no estilo de vida", atesta o cirurgião baiano Marcos Leão Vilas Boas, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica. O humorista Dedé Santana sabe bem do que se trata. Pesando mais de 100 quilos, ele decidiu recorrer ao bisturi. Emagreceu quase 40 quilos. Ao retomar a rotina de viagens para gravações, voltou a abusar de doce de leite e suspiro. Recuperou 10 quilos e as roupas que havia mandado apertar já estavam ficando justas de novo. Sob orientação do nutrólogo catarinense Danny César, Dedé melhorou seus hábitos alimentares, passou a beber mais água e se livrou dos 10 quilos extras.

Onde está o problema? Na técnica utilizada em 85% das operações para controle da obesidade no Brasil, o bypass gástrico ou cirurgia de Fobi-Capella, a capacidade normal do estômago é reduzida de 1,5 litro para 20 ml (o conteúdo de um copinho de café), depois que o órgão é separado em duas partes: a maior (o chamado ex-estômago), continua produzindo os sucos gástricos, mas a comida deixa de passar por ali. A menor é conectada ao intestino delgado e um anel de silicone pode ser colocado no encontro entre este estômago reduzido e o intestino para restringir ainda mais a capacidade de ingerir alimentos. Então a pessoa se vê obrigada a comer muito pouco e a mastigar bem, do contrário pode engasgar e vomitar.

Com o tempo, de 20% a 30% dos operados aprendem a driblar as restrições: descobrem que alimentos líquidos, pastosos ou miúdos (sorvete, leite condensado, pudim, amendoim, bebidas doces ou alcoólicas), passam pelo estômago reduzido sem causar desconforto se forem ingeridos várias vezes, em pequenas porções, e daí começam a abusar de produtos altamente calóricos. Resultado: sua capacidade pode aumentar de 20 ml para até 200 ml, e a costura na ligação entre ele e o intestino alargar, a ponto, inclusive, de romper o anel restritivo. Alguns excessos, inclusive, podem causar graves complicações como a que atingiu o socialite Chiquinho Scarpa, em abril.

Cinco dias depois de se submeter à cirurgia de redução de estômago, ele ingeriu 5 litros de água e suco de uma vez, o que provocou o rompimento de um dos pontos da cirurgia. Com isso, o líquido vazou para a cavidade abdominal, dando origem a uma peritonite, infecção na membrana que reveste o abdome, e colocou sua vida em risco. Resta saber por que ex-obesos sabotam seus planos de fazer as pazes com a balança depois de enfrentar os rigores do bisturi. "A comida pode ser uma bengala que os ajuda a atravessar as dificuldades de sua vida", explica a psicóloga Claudete da Silva, que trabalha no Ambulatório de Cirurgia Bariátrica da Faculdade de Medicina do ABC e na Clínica Plástica e Beleza. "É preciso aprender a separar as emoções da alimentação para conseguir viver sem essa bengala". Segundo a psicóloga, a maioria acha que vai tirar de letra, mas na hora H pode ser mais difícil do que parecia.

O técnico de Informática Kelme Voltan quase sucumbiu à tentação. Aos 26 anos, pesando 175 kg e já com pressão alta devido ao excesso de peso, ele resolveu se submeter à redução do estômago. "O primeiro mês foi terrível! Queria comer, mas não podia. Fiquei com péssimo humor", conta. Aos poucos, Kelme foi aprendendo como e o que comer para não passar mal. "Descobri que doces moles e líquidos digerem rápido e não deixam você estufado. Logo eu já estava bebendo muito refrigerante de novo. Até que levei um susto. Subi na balança e vi que em vez de continuar a emagrecer, eu voltei a engordar. Foi quando entendi que não existe milagre e comecei a me controlar."

Ranking do Perigo:

Quem corre mais risco de voltar a engordar?


1-Pessoas que têm o hábito de beliscar. "De pouco em pouco acabam comendo muito. Chegam a 2.800 calorias por dia", conta a nutricionista Silvia Leite Faria, que realizou duas pesquisas sobre o tema para a Universidade de Brasília;

2-Comedores de doce compulsivos. Sobretudo se não sentirem o dumping (náuseas e fraqueza relacionadas ao esvaziamento rápido do estômago), que surge em pacientes operados após o consumo de alimentos doces ou gordurosos;

3-Grandes bebedores de álcool ou refrigerantes. Com o tempo podem recuperar a capacidade de ingerir líquidos de forma ilimitada, diz o cirurgião Marcos Vilas Boas, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia.

Aliado importante:

As consultas pré e pós-operatórias oferecidas nos serviços de cirurgia bariátrica (nome "oficial" da cirurgia de obesidade) estimulam o paciente a mudar seu comportamento em vez de depositar todas as esperanças na mesa de operação. Este apoio é o primeiro passo para ter sucesso, ensina a nutricionista Silvia Leite Faria, da Gastrocirurgia de Brasília. Por isso as equipes são multidisciplinares, compostas de cirurgião, nutricionista, fisioterapeuta, endocrinologista, psicólogo e enfermeiros.

Mas os exobesos nem sempre participam. Por mais que o médico recomende, é comum fugir do psicólogo e faltar nos retornos ao nutricionista. No primeiro ano as consultas são mensais. Alcançado o peso saudável, elas passam a ser trimestrais ou semestrais e a partir do terceiro ano tornam-se anuais. Portanto, se você quer chegar lá, faça tudo conforme o figurino. "Não se dê alta por conta própria", recomenda Marcos Vilas Boas.

Outras medidas úteis:

- Antes de operar, converse com o nutricionista para avaliar seus hábitos alimentares. Se gostar de beliscar ou for loucamente apaixonado por doces, pergunte sobre estratégias para contornar essas tendências.

- O psicólogo o ajudará a perceber se suas expectativas são reais: você pretende ter peso saudável ou deseja ficar magérrimo quando sua estrutura não permite? Ele também o ajudará a entender se está usando o excesso de peso como defesa contra dificuldades que não consegue administrar e a procurar outros recursos.

- Depois da cirurgia, não espere solução mágica. Mesmo que haja grande perda de peso no início, para manter a nova silhueta será preciso corrigir seus hábitos.

- Quanto à dieta, no primeiro mês você só receberá líquidos, depois começará a ingerir alimentos pastosos. Assim que voltar a se alimentar, procure fazer de cinco a seis refeições por dia. E não deixe de ingerir proteína animal. Um bife dá mais trabalho para comer do que purê de batata e caldinho de feijão, pois precisa mastigar mais. No entanto, é fundamental consumir proteínas para preservar a estrutura muscular, ensina a nutricionista Silvia Faria.

- Até chegar ao peso saudável (e às vezes até mesmo depois) você precisará de suplementos de vitaminas, minerais, proteínas e óleos essenciais. Consulte seu médico.

- Invista nos exercícios físicos. Eles colaboram para eliminar o que interessa, a gordura, e preservar a massa muscular. O fisioterapeuta pode orientá-la.

- Se tiver qualquer dificuldade, abra o jogo. Solicite apoio.

Link.: http://dietaja.uol.com.br

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1 de setembro de 2009

Parte 13 - Amigo da Balança


Se antes o temor em saber a verdade me afastava da balança, hoje já não posso dizer o mesmo. Literalmente passei a ser sócio dela, mas nada “psicótico”, apenas uma questão de acompanhar a evolução. Mas tenho ouvido alguns relatos ultimamente que me preocupam, relatos de pessoas que se viciam nela, querem se pesar todos os dias e toda hora, e quando a perda se torna lenta, acabam se frustrando.

Temos que ter cuidado com as nossas expectativas, pois cada um tem um ritmo, não há como criar um parâmetro da perda de peso. O importante é focar no objetivo e agir de forma natural, já que o tempo se encarregará de mostrar os resultados. Durante uma parte do meu emagrecimento, observei um ganho de peso em alguns momentos, acontecia de um dia para o outro, 1 kg para dizer a verdade. Mas nada de desespero, segundo o Dr. Jamel, trata-se apenas de fisiologia humana, é normal variar o peso, mesmo que você esteja nesse processo de perda. Eu achava que era uma espécie de resistência do organismo, comecei a temer e achar que poderia estar engordando novamente, mas logo percebia que a balança voltada a “andar” para baixo, para a minha felicidade é claro.

Acho que a receita do sucesso, no que se refere à perda do peso, é se alimentar de forma correta, ou seja, cumprir principalmente os horários e comer alimentos saudáveis também. Imagine que agora em diante, no almoço, eu tenho disponibilidade para apenas 250 gramas de alimentos, e será necessário dividir bem esta quantidade com proteínas, carboidratos, fibras, grãos etc. É um pouquinho de cada mesmo, não tem escapatória, faz parte da vida nova.

Outro ponto importante que vai ajudar na perda de peso, é procurar variar o alimentos, durante a semana eu procuro variar as carnes por exemplo. Antes da cirurgia, eu me recordo que só comia churrasco, todo dia eu comia picanha, eu não resistia ao churrasco. Neste ponto, eu acho que a cirurgia me ajudou muito, pois continuo gostando de carne, só que na semana vou variando o meu cardápio. A carne vermelha é consumida no máximo duas vezes por semana, passei a comer mais peixe por exemplo, nunca imaginei que seria tão bom pegar este hábito.

Pois bem, eu me tornei amigo da balança sim, mas de maneira saudável, pois seguindo uma nova rotina e hábitos, vejo que estou conseguindo vencer o grande fantasma da minha vida. O conselho que dou, é fazer desse hábito de se pesar, apenas como uma forma de controle, sem psicoses, para que não se torne um outro problema.