4 de setembro de 2009

Parte 14 - Descobrindo o corpo.




Quando resolvi realizar esta cirurgia, não imaginava bem as mudanças que poderiam acontecer no meu corpo. Antes de me submeter aos procedimentos, procurei entender um pouco como fica a cabeça de um ex-obeso, isto é, como é a reação de uma pessoa como seu próprio “eu”, e com a sua própria imagem.

Existem níveis de obesidade, uns pesam mais e outros pesam menos. Para se ter uma idéia, há casos de obesos mórbidos com 220 kg. Imagine o índice de massa corpórea e o tamanho em si, de uma pessoa dessas. Eu ficava pensando aqui comigo:

- Caramba! Quando esta pessoa emagrecer, e perder todo o seu peso extra, ela ficará com um lençol de pele em cima.

Eu realmente pensava nesta situação, e apesar de eu não ter chegado a este nível de obesidade, ou seja, o último grau no meu entender, eu achava que teria outro problema pela frente. A minha pele já estava no limite, pelo menos eu achava, eu já apresentava uma boa quantidade de estrias na barriga, aliás, eu as odiava, elas eram horríveis, doíam e incomodavam bastante. Era difícil conviver com esse problema, tirar a camisa na praia, só depois de um tempo, não dava para competir com a rapaziada em forma, eu me sentia mal com esta situação.

Quando passei a estudar o assunto, e também conviver com gastroplastizados, procurei trocar informações sobre a flacidez. Acabei descobrindo que alguns não se importavam com o excesso de pele, já que por meio de uma cirurgia plástica, as “pelancas” poderiam ser removidas tranquilamente. Mas como dizem os médicos, cirurgia é igual a corte, corte é igual a uma cicatriz, então pensei:

- Caramba! Como é complicado consertar as coisas...

Mas logo depois esqueci esse assunto, e passei a pensar numa outra coisa. Fiquei pensando numa questão que envolve mais o psicológico, isto é, como é se enxergar no espelho e não ver mais aquela pessoa enorme na sua frente? Como será que a cabeça reage nesse momento? A mesma pergunta vale para as pessoas que não te vêem há algum tempo. Recentemente meu primo comentou com minha mãe, que eu já estou magro demais! Quando soube, não fiquei aborrecido com ele, eu sei que deve ser estranho, pois ela ainda tem na memória a imagem de outra pessoa. Nunca me viu assim em forma, e por isso pode achar que estou até doente, fato este, completamente descartado, já que meus exames médicos provam exatamente o contrário.

Durante esta jornada de emagrecimento, fui gradativamente aceitando as mudanças no meu corpo. Tudo vai se transformando, o tórax, os membros inferiores, superiores e até a face. Olhar no espelho, e ver uma pessoa que você mesmo nunca conheceu, de fato pode lhe trazer um certo descontrole momentâneo, ou até mesmo, como dizem na linguagem popular aqui no Brasil, um simples “nó na cabeça”.

Depois de eliminar cerca de 55 kg, não só vejo uma outra pessoa diante do tão temido espelho, mas como também fico reparando as mudanças no meu corpo. Em alguns momentos, eu mesmo me surpreendo, hoje pela manhã ao colocar o relógio de pulso, pude perceber mudanças. Isto mesmo, pois não foi somente o cinto da calça, que eu tive que cortar e levar no sapateiro para ajustar várias vezes. O pulso afinou também, as mãos eram inchadas e pareciam umas bolas, e hoje, é completamente diferente.

Quando me recolho aos meus aposentos, deito na cama e ponho as mãos no meu quadril, posso sentir pela primeira vez, em pleno os 34 anos de idade, os ossos “ilíacos” da minha bacia. Para uma pessoa que nunca foi obesa, pode ser a coisa mais natural do mundo, mas eu vejo com outros olhos, os olhos da conquista e da vitória.

Felizmente tenho percebido que minha pele tem me ajudado, as estrias, aquelas que eu odiava, praticamente desapareceram, e não tenho flacidez também. Mas alguns podem não ter a mesma sorte, mas não se deixem abater, a plástica poderá resolver este problema, ou dependendo do caso, quem sabe uma musculação poderá por “ordem na casa”.

São inúmeras descobertas, ficaria aqui horas descrevendo cada uma delas, o que quero deixar aqui é a seguinte mensagem:

“Pequenas mudanças implicam em grandes transformações, curta cada uma delas de maneira saudável”.

“Estria são os fibroblastos presentes na derme, que produzem fibras chamadas colágeno e elastina, elas conferem resistência e elasticidade à pele, respectivamente. Apesar das fibras de elastina conferirem elasticidade à pele, elas têm um limite. Quando a pele estica demais, esse limite é ultrapassado, então ocorrem rupturas nas elastinas da derme, que dão origem as estrias. É por isso que na adolescência, fase de rápido crescimento corporal e também na gravidez, há grande tendência para o surgimento de estrias. As elastinas rompidas cicatrizam, no entanto, o novo tecido formado é do tipo fibroso e essa diferença de tecido é que dá o aspecto característico às estrias”.


“Os ossos ilíacos são os do quadril”.

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