3 de dezembro de 2009

Mais uma vez... Quem é você?

Numa das ultimas reuniões que eu participei, mais precisamente a do Dr. Aurélio Bottino, a psicóloga nos apresentou um presente, um presente para cada um de nós, ou seja, a nossa própria imagem refletida no espelho. Realmente eu nunca havia parado para pensar nisso, isto é, encará-la como um presente, mas achei interessante a colocação dela, na hora fiquei sem ação, olhando fixamente para o espelho, tentando lembrar como eu era há tão pouco tempo atrás.

Engraçado que a memória vai se apagando, as pessoas que estão mais próximas a você, já se acostumaram, e somente às vezes é que elas te reparam. Mas não me importo com isso, não estou querendo ser massageado no ego, apenas é um fato inevitável, dentro deste contexto todo de mudança de vida.

Mas sempre encontro pelas estradas da vida, alguém que não vejo faz tempo, outro dia vivi esta experiência, aliás, já havia vivenciado isto tempos atrás, mas desta vez foi até engraçado. Fui ao Fórum realizar uma audiência, e de repente, percebi que em um dos bancos, estava sentada uma colega de alguns anos. Gosto desses encontros, colocar o papo em dia etc, mas esqueço que mudei, e não foi pouco, 59 kg de gordura pelo ralo, e consequentemente, o meu reflexo no espelho é outro. A pessoa me olhou da cabeça aos pés, e não me reconheceu, simplesmente passou direto. Acabei ficando estarrecido, mas logo lembrei do reflexo do espelho...

Depois disso, resolvi entrar na brincadeira, sentei do lado da colega, passei a mão na cabeça, tirei os óculos, ela ainda me olhou, fez cara de pensativa, mas nada, nada dela me reconhecer. Eu comecei a rir, e quando o pregão (anúncio da audiência) me chamou, eu peguei no braço dela e disse:

- Olá! Estou aqui tentando falar contigo, mas você não me reconhece mais!

A pessoa ficou com uma cara de perdida, até me assustou um pouco, mas logo após a cara de espanto, deu lugar a um belo sorriso e com a tradicional pergunta... Uau! O que você fez? Mas confesso que só fala para alguns, pois aprendi a não ficar dando muitas explicações da minha vida.

Mesmo as pessoas que me olham por foto, quando as encontro pela rua, a reação é a mesma, mas não da para surtar, é só uma questão de acostumar com a sua imagem, creio que com o tempo, estes encontros que causam espanto vão acabar. Volta e meia eu dou uma olhada nas fotografias antigas, é impressionante como a gordura escondia o meu verdadeiro "eu", um disfarce que escondia uma pessoa por inteiro.

Nada como recuperar, ou mesmo ganhar, o rosto e a aparência que sempre tive vontade de ter. Marcas da obesidade? Claro que vou ter! Mas nem ligo para elas, todos que passaram por esta mudança de vida, com certeza carregarão algumas marcas, sejam elas físicas ou psicológicas.

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