10 de fevereiro de 2010

Parte 27 - Rejeição


Quero falar neste tópico, algo que considero muito importante, e que está ligado diretamente ao lado psicológico do tratamento, contra esta doença chamada obesidade.


Eu sempre digo que um dos segredos da gastroplastia, é estar em equilíbrio com sua a própria mente. Adimito que não estou fazendo o acompanhamento psicológico adequado, e da forma como eu gostaria que estivesse sendo feito, mas por questões particulares da minha vida, não está sendo possível, estou num semestre muito complicado, e para ser sincero, eu já até esperava por isso. Mas sinto falta, preciso o quanto antes procurar o profissional especializado, para contar um pouco das minhas experiências, vitórias, frustrações etc.


Mas sabe que escrever me ajuda muito! Sim! Me ajuda muito, aqui vou escrevendo o que venho pensando e vivenciando na vida, e se eu mesmo parar para puxar o histórico de tópicos, posso ver o quanto os meus pensamentos estão mudando, ao longo desta jornada de emagrecimento e mudança de vida.


O emagrecimento rápido provoca transtornos, é difícil você olhar para o espelho e dar de cara com uma pessoa totalmente diferente, é como ter nascido após os 33 anos de idade, pois nunca na minha vida eu me vi magro, afinal de contas, se foram 60 Kg pelo ralo.


Outro dia estava vendo um filme, um filme bem antigo, mas muito marcante, chamado de MASK, mas aqui no Brasil ganhou o nome de MARCAS DO DESTINO, ele foi estrelado pela atriz e cantora americana Cher.


O filme é um Drama baseado na história verdadeira de Rocky Dennis, um adolescente que nasceu com uma estranha deformidade no rosto e todos acham que usa uma máscara. Cher, em seu papel principal no cinema, é Rusty, a mãe do rapaz. Com a ajuda do amor descompromissado e a inabalável determinção de Rusty, Rocky enfrenta a dor, a solidão e os preconceitos para emergir como um extraordinário jovem que se torna uma inspiração para seus colegas e professores.


Quando eu vi este filme eu tinha uns 12 anos, e como falei anteriormente, acabei tendo interesse em revê-lo, pois uma das cenas me marcou muito. O menino passava por vários preconceitos por causa da sua aparência, e em das cenas do filme, um grupo de amigos foram com ele num divertido parque temático, e lá, me recordo bem, existia um briquedo chamado " Casa dos espelhos", ao entrar e passar pelos espelhos, acontecia o inesperado, ou seja, quem era magro, ficava gordo diante de um determinado espelho, quem era gordo ficava magro, o alto ficava baixo, e assim por diante. Eu me lembro que o menino parou diante de um dos espelhos, e o reflexo do seu rosto deformado pela doença, acabava justamente mostrando o inverso, o rosto dele ficou praticamente normal, não evidenciava mais aquela deformidade.

Eu me sentia assim, deformado pela obesidade, e só sei bem o que é isso somente agora, é agora que realmente eu sei o que é sentir isto na pele, ou melhor, para ser mais claro, somente agora é que "caiu a ficha" do sentimento do passado.


Atualmente estou passando por algo novo, eu estou com uma espécie de "rejeição" à minha imagem do passado. Aqueles "antes e depois" que todo mundo gosta de fazer no universo da Gastroplastia, deixou de ser um prazer pra mim, eu amo a imagem atual, mas odeio a imagem do passado, são lembranças de humilhações, chacotas, preconceitos dos mais diversos, seja na família ao redor (não a de casa), nos tempos da escola, ou como em qualquer outro canto da sociedade.

Me incomoda bastante olhar fotografias do passado, e aqui em casa tem um monte, aos poucos eu estou trocando cada uma delas, fazendo uma espécie de transição do passado e presente. Minha mãe por exemplo não entende muito bem essas coisas, ela se ofende quando eu falo que não suporto ver mais minha foto de formando, que eu tirei em 2001, faz tempo... Mas eu relevo, sei que para ela eu sempre serei o mesmo filho de sempre, mesmo com seus 60 Kg a menos.


Acho que com meus colegas de cirurgia, não deve ter sido diferente, acredito que muitos devam ter passado por esta fase, mas acho que o importante é não "surtar", é procurar viver normalmente, já que por outro lado, temos a vida diante dos nossos olhos para ser desfrutada, é viver, fazer o bem e colher bons frutos, é isso que eu penso agora.


Saudações.


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