21 de agosto de 2010

Parte 41 - O melhor "antes e depois" da minha vida.


Olá Pessoal!

Ontem eu estive nada mais, nada menos, ao lado do meu maior ídolo do futebol, o Zico! Foi sensacional e emocionante! Eu estava perseguindo o Zico fazia 1 ano, e vou contar o porquê disso tudo. Quando eu estive com ele pela última vez, eu ainda era gordo, e aqui em casa, eu tenho um texto, que eu escrevi, e que por sinal, ontem dei de presente a ele, onde junto a esse texto, tem uma fotografia desse último encontro. Só que como falei anteriormente, eu estava obeso, e bem diferente de hoje, e confesso que me incomodava muito olhar aquela foto, não por ele é claro, mas por mim, não parece mais eu, e por isso, eu botei na cabeça, que eu tinha que tirar uma foto nova. Graças a Deus, ontem eu consegui, estive com ele e até papeamos um pouco, onde eu tive a oportunidade de explicar o motivo, e cheguei até mostrar a foto e tudo.

Abaixo, segue o texto ao qual me referi.

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Quando tudo começou.

Tudo começou no ano de 1980... Naquela época, o Flamengo estava começando a formar uma verdadeira máquina de ganhar títulos.
O meu interesse não só pelo Flamengo, mas também pelo futebol, se deu por causa de um personagem, o meu Pai. Meu pai se chamava Paulo Afonso e era Rubro - Negro de carteirinha; me levava aos jogos não só aos domingos, mas também as quartas – feiras. E assistindo aqueles espetáculos, pude entender a magia que cercava aquela equipe, pois eu me questiono até hoje:
- Meu deus! Que futebol era aquele praticado por Zico e companhia?
Aquela equipe merecia uma estátua em praça pública, pois eles eram especialistas na arte de jogar futebol.

Com o passar do tempo, o meu amor pelo clube foi crescendo... Não perdia um jogo sequer e, mesmo sendo criança, cheguei a recusar um convite para assistir a chegada do Papai Noel no Maracanã, pois eu achava muito mais graça assistir ao Flamengo do Zico, junto do meu amado pai, é claro.

Sou filho único e morava em São Cristovão e, acho que pela proximidade do bairro ao Maracanã, fazia com que eu e meu pai não perdêssemos uma partida sequer. Minha mãe morria de medo, pois voltávamos sempre a pé e de noite pela Quinta da Boa Vista, tudo escuro e deserto, mas sem perigo ou quem sabe pouco, pois o Rio de Janeiro era diferente naquela época.

Tenho boas recordações do 1° Campeonato Brasileiro do Flamengo, consequentemente da Copa Libertadores da América e do Mundial Interclubes. Em todos os títulos fazíamos festa; as comemorações eram sempre na casa da minha avó, aos Domingos, e com a presença dos meus tios Pedro e Manoel Afonso, este último, já falecido, mas todos flamenguistas apaixonados. Na casa da minha avó aconteciam também os debates e resenhas esportivas, sempre depois do almoço e, claro, era uma grande diversão, a alegria estava sempre estampada na face dos meus tios e do meu pai.

Mas foi em 1983 que minha vida começava a mudar, de uma maneira inesperada, e que me marcaria para sempre. Eu já não estava morando mais em São Cristovão, estava morando para as bandas de Niterói quando, no dia 22 de maio de 1983, o Flamengo disputava contra o Santos, a final do Campeonato Brasileiro daquele ano. No primeiro jogo só deu Santos, o time do litoral paulista foi melhor, e fez 2 a 0 com tranquilidade. Baltazar, o "Artilheiro de Deus", contratado para substituir Nunes, ainda conseguiu um gol que diminuiu a vantagem do Santos. Quando o jogo acabou, meu pai olhou nos meus olhos e disse:

- Filho! Não esquenta! Na outra semana estaremos lá no Maracanã e o nosso Mengão certamente será campeão. Nós temos o Zico!

No dia seguinte, 23 de maio de 1983, aconteceu o inesperado: meu pai acordou, me deu um beijo e um até logo e foi trabalhar. Assisti meu pai entrando no Passat TS dele, todo de terno e gravata, com a pastinha dele estilo 007 na mão, indo embora para o serviço. Minha mãe também se despediu e foi cuidar de me levar ao colégio. Passei uma manhã estranha, como se alguém estivesse ao meu lado, me tocando e me abraçando, não sabia explicar o que estava acontecendo. Acabou a aula e fui correndo para casa, e ao chegar, fui surpreendido com minha mãe me dizendo, que também se sentiu por diversas vezes abraçada. Mas não demos muita atenção para isso, só que logo depois chegou a notícia triste.

Meu pai, meu herói e responsável por ter me dado o prazer de ver aquele Flamengo do Zico, com 39 anos de idade, havia falecido naquela manhã de um infarto fulminante do miocárdio. Ele estava prestes a entrar nas barcas Rio - Niterói, quando caiu e não se levantou mais.

Quando soube de tudo, foi como se o mundo tivesse acabado, pensei logo a falta que ele faria, não poderíamos mais ir juntos aos jogos, não poderíamos andar de bicicleta, não poderíamos jogar bola, não poderíamos fazer mais nada, eu tinha perdido o meu amado pai. Passei aquela semana perdido junto com minha mãe que, por sinal, estava em piores condições do que eu. Hoje eu penso que deixei de ser criança naquele momento.

No Domingo seguinte, veio o segundo jogo da final do Campeonato Brasileiro, dia 29 de maio de 1983, com o Maracanã lotado, com um público de 155.253 pagantes que acompanhou uma aula de futebol do Zico e companhia. Não fui ao jogo por motivos óbvios, mas não pude deixar de acompanhar aquela decisão. De alguma forma, associei de todas as maneiras o Flamengo e o seu grande ídolo, o Zico, ao meu pai, pois, estar perto, assistir e acompanhar, era como se estivesse ao lado do meu pai e herói.

Aquela equipe cumpriu com a sua obrigação e meu pai estava certo, o Flamengo se sagrou campeão Brasileiro pela terceira vez em quatro anos. O verdadeiro Flamengo Tricampeão Brasileiro, com um show dele, o craque Zico que sempre será o maior jogador que eu tive a oportunidade de assistir jogar. De alguma forma fiquei feliz no meu coração, alguma coisa me trouxe conforto e imaginei que mesmo no céu, meu pai estaria plenamente feliz.

Desse dia pra cá, o meu amor pelo Flamengo e Zico só aumentou, jurei que acompanharia o Flamengo até os meus últimos dias de vida, e jurei que um dia, iria contar essa história para o próprio Zico. Ao receber o convite do amigo Moraes, para encontrar com o meu ídolo, não pude deixar de escapar a chance de estar ao lado de uma pessoa que representava muito para o meu pai e, consequentemente, pra mim.

Foi um dos momentos mais emocionantes de toda a minha vida. Fiquei mais feliz do que minha própria formatura na faculdade! Pensei:

- Dia 28 de maio de 2008, prestes a completar 25 anos do dia do meu juramento...

O mais incrível são essas coincidências de datas, mas sendo ou não, foi um dos dias mais felizes da minha vida e gostaria de agradecer e muito ao amigo Moraes por esta oportunidade e, de alguma forma pude sentir o meu pai ao meu lado.

Essa é a minha história de amor, entre personagens que fizeram e ainda fazem parte da minha vida: o meu pai, Paulo Afonso, o Flamengo e o Sr. Arthur Antunes Coimbra, o Zico.

Luis Henrique Marques.
"Flamengo até morrer"!

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